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terça-feira, 3 de julho de 2012

Urgência e Emergência Hipertensiva!

Olá queridos leitores!


Como já contei para vocês, faço parte da Liga de Emergências Clínicas e neste mês participei do curso de "Urgências e Emergências no Pronto Atendimento" realizado pela Unimed-Cuiabá. Assim, vou compartilhar um pouco do que aprendi sobre Urgência e Emergência Hipertensiva, que é um quadro comumente visto por quem faz plantões em Pronto Socorros e Pronto Atendimentos. 

Para começarmos, vou expor alguns pontos... 
  • Hoje, o termo "Crise Hiperensiva" está  perdendo espaço para o termo "Pressão Arterial Acentuadamente Elevada", que é quando a Pressão Arterial Diastólica está acima de 115 ou 120 mmHg, com ou sem lesão em órgão-alvo.
  • Emergência hipertensiva é quando tem elevação da pressão arterial (PA) mais a presença da lesão em órgão-alvo (cérebro, coração, pulmão e rim);
  • Pseudocrise é quando a PA eleva devido a outro fator desencadeante, por exemplo dor. 
Em relação ao último item, quem nunca ouviu alguem falar: "Estou com muita dor na nuca, porque minha pressão subiu". Na verdade, segundo os cardiologistas, a pressão arterial elevada não tem sintomas, a não ser que já tenha lesão em órgão-alvo, portanto quando o paciente tem dor na nuca, por exemplo, a pressão arterial realmente pode estar elevada pela dor (pseudocrise), então o tratamento recomendado neste caso é analgesia e não necessariamente administrar um anti-hipertensivo. Todo caso, devem procurar o Pronto Atendimento e nada de auto-medicação, ok? Os pacientes que não apresentam lesão em órgão-alvo, geralmente não precisam de internação hospitalar. 

Que lesões são essas que eu tanto falo? Vou citar as principais: 

 Edema Agudo de Pulmão (Hipertensivo): Pela história e exame físico (creptação) é possível diagnosticá-lo. Geralmente usam a Ventilação Mecânica Não Invasiva (VNI), como o CPAP, para fornecer oxigênio, raramente utilizam Intubação Orotraqueal de imediato.


Dissecção de Aorta suas principais etiologias são: Trauma, Síndrome de Marfan, Síndrome de Ehlers-Danlos, Artrite, Lesão Valvar Aortica,Gravidez e Usuários de Drogas. Manifesta-se como uma dor lancinante, súbita e intensa, que irradia para região interescapular, vale lembrar que só há dor quando está dissecando a aorta, por isso pode parar a dor em alguns momentos. A cada hora perdida aumenta em 10% a chance de evoluir à óbito. Não pode administrar trombolítico, por isso a importância de diferenciá-la de outras dores torácicas, como o Infarto Agudo do Miocárdio.

Encefalopatia Hipertensiva se apresenta como: confusão mental, cefaléia, disturbio visual e convulsões. Ocorre principalmente em pacientes hipertensos devido doença renal, terapia imunossupressora, uso de eritropoetina e eclâmpsia. Ideal é sempre solicitar uma Tomografia Computadorizada (TC) para diagnóstico diferencial de Acidente Vascular Encefálico (AVE), mas cuidado, porque nem sempre a TC está alterada no AVE.

Acidente Vascular Encefálico ocorre com frequência em pacientes hipertensos e deve ser tratada rapidamente para aumenta a chance de recuperação plena. Não é interessante baixar rapidamete a PA nestes casos, pois devemos manter a perfusão cerebral. Prometo escrever um post sobre o tema em breve!!!

Lembrem-se que os pacientes de maior risco são idosos, negros e os que não tomam regularmente o medicamento. Estas emergências hipertensivas devem ser tratadas o mais rápido possível, sempre dando imprtância à anamnese e exame físico, incluindo a Fundoscopia, pois muitas vezes os exames de imagens não estão prontamente disponíveis. 

Até mais :)


segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Importância da Fundoscopia na Prática Clínica!

Olá pessoal!

A fundoscopia é importante na prática clínica para auxiliar no diagnóstico de algumas patologias sistêmicas e algumas vezes, fundamental para diagnóstico precoce e prognóstico da doença. (Neste post estão informações obtidas no 11º Congresso de Clínica Médica).

Fundoscopia 
A oftalmoscopia ou fundoscopia é um exame realizado com o oftalmoscópio para visualizar a retina. A projeção da luz emitida pelo aparelho no olho permite essa visualização. 

Através da fundoscopia temos a possibilidade de acesso a uma vascularização terminal do corpo humano, e deste modo podemos visualizar vénulas, arteriolas e capilares. O estudo da vascularização permite tirar algumas informações acerca de patologias sistêmicas e igualmente do estado do cérebro, por extensão do nervo óptico.
Existem dois tipos de fundoscopia: a direta, na qual se obtém uma imagem ampliada quinze vezes maior, mas com restrito campo de visão, e a indireta, que proporciona uma imagem com ampliação menor, porém com visualização mais ampla da retina, evidenciando-se até sua periferia. A oftalmoscopia direta é comumente realizada pelo clínico geral e utiliza-se um aparelho simples e portátil, enquanto a oftalmoscopia indireta é geralmente restrita ao médico oftalmologista e depende de equipamentos mais complexos.

Patologia
Achados na fundoscopia e /ou conduta médica
Hipertensão intracraniana
Edema de papila
Pré-eclâmpsia (Hipertensão, edema e proteinúria)
Pontos brancos e deslocamento retiniano (raro)
Lúpus Eritematoso Sistêmico
Exsudatos moles e oclusão de arteríola retiniana (isquemia retiniana).
Maculopatia da cloroquina (medicamentoso)
Parar o uso do medicamento, porém se presentar depósito de cloroquina somente na retina pode-se manter o tratamento com acompanhamento do oftalmologista de 4 em 4 meses.
Retinopatia hipertensiva
Discreta esclerose (alteração do cruzamento arterio-venoso e retificação arteriolar), intensa esclerose (pseudo-esmagamento arterio-venoso), obstrução arteriolar, espasmos arteriolares associados a hemorragias e exsudatos.
Retinopatia diabética
Manchas algodonosas, neovascularização, oclusão, edema macular, microaneurismas, hemorragia, manchas amareladas (exsudato duro), morte das fibras nervosas (exsudato mole), veia em salsicha (risco), hemorragia vítrea (risco de cegueira)e fibrose (cirurgia).
Doenças reumatológicas auto-imune (espondiloartrites, artrite reumatoide e Síndrome de Sjogren)
Uveíte anterior (geralmente)
Doenças reumatológicas inflamatórias
Uveíte posterior (geralmente)
Doença de Bahçet (afta, lesão mucosa genital e vasculite)
Uveíte anterior e hipópio (pus na câmara anterior)
Sarcoidose
Exsudato em pingo de vela e uveíte anterior
Granulomatose de Wegener
Vasculite, hemorragia, esclerite, orbitopatias e infecção da esclera
Doença de Vogt Koyanagi –Harada (auto-imunidade contra melanina: vitiligo, lesão do ouvido interno e meningismo)
Panuveíte bilateral e deslocamento de retina (pelo edema).
Corticóide (uso crônico)
Catarata, acumulo de corticóide na cápsula posterior do cristalino e glaucoma (pelo uso tópico)
Tuberculose, Hanseníase e Herpes
Uveíte anterior
Toxoplasmose
Coriorretinite
Necrose aguda de retina (causas: vírus, Sd paraneoplásica...)
Edema, vitreíte e hemorragia
HIV
Uveíte anterior e posterior
Citomegalovírus
Hemorragia e exsudato
Sífilis (2ª)
Uveíte anterior, retinopatia em sal-e-pimenta (lesões escuras e clara) e esclerite
Rubéola
Retinopatia em sal-e-pimenta
Neurocisticercose
Larva no vítreo ou retina


Montei essa tabela de forma bem objetiva para pesquisa rápida, no entanto o estudo da fundoscopia é bem mais complexo. Quem tiver interesse pode consultar o livro MANUAL DO FUNDO DE OLHO, autor Theo Dorion e Editora Manole Clique para acessar o livro on line. Até mais...
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