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sábado, 31 de agosto de 2013

Vídeo: Intrumentação no Centro Obstétrico!

Olá pessoal!!!

Criei um vídeo com noções básicas de instrumentação no centro obstétrico para o parto cesária, com o objetivo de proporcionar noções básicas sobre os instrumentos mais utilizados durante este procedimento. Vejam:


Há um outro post aqui no blog sobre o assunto Instrumentação cirurgica.
Espero que gostem!!!
Até mais :)

domingo, 10 de março de 2013

Instrumentação Cirúrgica: Instrumentos!

Olá queridos colegas!

 Esta semana instrumentei durante uma cirurgia pela primeira vez, apesar de cirurgia não ser minha "praia", gostei muito da experiência, mas preciso revisar com U-R-G-Ê-N-C-I-A os instrumentos cirúrgicos, então resolvi fazê-la com vocês. Vamos começar?!

O conceito... "A Instrumentação cirúrgica é a técnica através da qual um membro da equipe cirúrgica, o instrumentador, passa os instrumentos, previamente dispostos em mesa apropriada, para as mãos do cirurgião e seus auxiliares."

Classificação do Instrumental Cirúrgico:


Já sabemos o conceito de intrumentação cirúrgica e a classificação dos instrumentos, agora vamos ao nosso objetivo que é relembrar o nome de cada um deles. Selecionei os mais utilizados de maneira geral. Obs.: Para ampliar as figuras basta clicar em cima das mesmas.

Intrumentos de Diérese

O Bisturi é um instrumento pérfuro-cortante, utilizado para perfurar e cortar. O de lâmina fixa (fig 21.1) caiu em completo desuso. O de lâmina móvel (fig 21.2)emprega lâminas descartáveis que são trocadas sempre que necessário.

As tesouras são classificadas quanto à forma das lâminas. A tesoura reta (fig 21.3) é usada para sítense, como corte de fios e não para diérese. A tesoura curva (fig 21.4) é um instrumento de diérese amplamente usada, especialmente em dissecções, porém é mais traumática que o bisturi, assim deve ser evitada em tecidos delicados.

Instrumentos de Hemostasia

As pinças hemostáticas curvas (pinça Kelly curva) são mais versáteis e seu fomato facilita o pinçamento e ligadura de vasos com menor risco d lesão nos tecidos adjacentes.

As pinças hemostáticas retas (pinça Kelly reta) além de serem usadas na hemostasia, também são utilizadas para o pinçamento de fios cirúrgicos.

A pinça mixter facilita o reparo e a ligadura de vasos de acesso mais difícil, como nas cavidades.

 As pinças intestinais permitem maior aderência às alças intestinais que são delicadas e lisas, sem lesá-las e sem deixar escapar seu conteúdo.

A pinça De Bakey é comumente usada em cirurgia vascular periférica.


Intrumentos de Sítense

O porta-agulha de Hegar é empunhado (manuseado) como as pinças hemostáticas e as tesouras.

O porta-agulha de Mathieu é empunhado (manuseado) com toda a mão envolvendo sua haste.


Intrumentos de Preensão

A pinça de Backaus é usada para prender campos os cirúrgicos e outros instrumentos.

A pinça anatômica (fig 21.36) é um instrumento delicado utilizado para segurar tecidos delicados no ato da dissecção. A pinça dente-de-rato (fig 21.37) é utilizada para segurar a pele e os dentes evitam que a pele escape da pinça.

A pinça de Allis é usada para preensão de vários tecidos, principalmente os delicados e escorregadios.

A pinça de Durval (fig 21.39) e a pinça de coração (fig 21.40) são usadas para preensão de vísceras.

A pinça de Pozzi é usada para segurar o colo ou corpo uterino.

A pinça de Desjardins é utilizada, em especial, na preensão da vesícula biliar.

Instrumentos Auxiliares


O Afastador de Farabeuf (fig 21.43) e o Afastador de Volkmann (fig 21.44) são utilizados em pequenas aberturas ou como auxiliares de grande laparotomias.

Os afastadores de Doyen são úteis na exposição do campo operatório e necessita de tração manual constante.

Pronto! Revisamos um pouco sobre os instrumentos cirúrgicos, bem como suas funções. Em breve, postarei sobre a sinalização manual entre o cirurgião e o instrumentador e, como montar a mesa de intrumentação.

A referência bibliográfica utilizada para escrever este post foi o livro Técnica Cirúrgica dos autores Euclides de Matos Santana e Ernesto Lentz de Carvalho Monteiro. As ilustrações são da ilustradora Iriam Gomes Starling http://www.istarilustracao.com/ e http://iriamstar.com/

Até mais :)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Nós Cirúrgicos!

Olá queridos colegas!

Há momentos que precisamos resgatar informações já ensinadas... O resgate ou aprendizado de hoje será sobre os nós cirúrgicos. No internato, período que estou vivendo, precisei relembrar com urgência este conhecimento. Nada melhor que este vídeo (abaixo) e um pouco de treinamento.


Bom trabalho galera! Até mais...


terça-feira, 4 de setembro de 2012

O médico que participou deste "milagre"!

Olá pessoal!

Vocês viram o caso do operário, Eduardo Leite, que foi atingido por um vergalhão na cabeça no mês passado no Rio de Janeiro?! Leia aqui! É impressionante o sucesso da cirurgia e sua recuperação no pós-operatório. E o melhor, ele teve alta hospitalar semana passada. Mas quem foi um dos responsáveis por esse "milagre"?

O neurocirurgião, Dr. Ivan Sant'ana! O programa Encontro da Fátima Bernardes o entrevistou hoje e apresentou um vídeo sobre um pouquinho da rotina deste médico.

Assistam o vídeo: Parte 1 Parte 2 (total 6:36 min).

Sabe o que mais me chamou atenção?! O quanto ele é humano e sensível ao sofrimento do próximo. Várias vezes ele se emociona ao contar a sua história de vida e os desafios que encontrou pelo caminho. Ao falar da rotina do hospital e dos casos que vivenciou, ele diz: "Ou você aprende a conviver com isso ou não sobrevive". 

Um exemplo de amor ao próximo e à sua profissão!

sábado, 9 de junho de 2012

Antibióticos X Resistência Bacteriana!

Olá queridos leitores!


Quem já tomou antibiótico por conta própria? Quase todos... Pois é, o uso inadequado de medicamentos pode trazer consequências graves. No caso dos antibióticos as maiores enfrentadas hoje é a Resistência Bacteriana, onde as bactérias sofrem adaptações ou mutações para sobreviverem mesmo em contato com tal antibiótico. Isso pode complicar o quadro do paciente se não "encontrarem" um antibiótico sensível à bactéria, podendo causar sepse grave entre outras complicações. Lembrem-se que quem apresenta a resistência ao antibiótico é a BACTÉRIA e não a pessoa, como muitos confundem ao dizer "eu sou resistênte ao antibiótico tal".

Em 2010 a Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) alterou a regra para venda de antibióticos. Antes era necessário apresentar a receita na hora da compra, agora é exigido deixar uma via da prescrição na farmácia. A receita tem validade por 10 dias. O objetivo é diminuir a auto-medicação e a resistência bacteriana.


Como evitar a Resistência Bacteriana?
· Tomar de forma correta, respeitando os horários e o tempo de tratamento recomendado;
· Não tomar por conta própria, sem necessidade (ex.:infecção viral) ou sem orientação;
· Não ingerir bebida alcoólica durante o tratamento, pois inibe a ação do antibiótico;
· Os médicos devem prescrever com cautela.

Se tiver dúvidas durante o tratamento, entre em contato com o médico e não suspenda o tratamento sem orientação.

Até mais :)

terça-feira, 15 de maio de 2012

No Pronto Socorro: Trombose Venosa Profunda (TVP)!

Olá queridos leitores!

Vocês pereceberam que eu sempre tenho um caso do Pronto Socorro para contar?! Então, quem tiver oportunidade de frequentá-lo, vale a pena, sempre tem vários casos interessantes! Um caso que me chamou atenção ontem foi de uma jovem, 20 anos, com diagnóstico de Trombose Venosa Profunda (TVP). Ela deu entrada com o quadro de dor intensa e edema em membro inferior, dificuldade de deambular (caminhar), empastamento (rigidez da musculatura da panturrilha), pulso femoral, poplíteo e tibial reduzidos à palpação neste membro. Relata uso de anticoncepcional e viagem longa recente, nega tabagismo ou trauma. Então, vamos revisar alguns pontos sobre TVP...


A Trombose Venosa Profunda (TVP) é uma obstrução total ou parcial de um vaso pelo desenvolvimento de um trombo (coágulo), cuja formação é explicada pela Tríade de Virchow: Estase venosa (imobilidade, repouso, varizes), Hipercoagulabilidade (trombofilías, neoplasias, gravidez, anticoncepcional) e Lesão Venosa (trauma, lesão tecidual, inflamação). Os principais sinais e sintomas são: dor em membros inferiores (mais ocometidos), dor à palpação, edema, cianose, rubor (vermelhidão), pode apresentar aumento da temperatura e aumento da consistência muscular.


A formação do coágulo geralmente ocorre na panturrilha (50%). A TVP é considerada uma grande causa de morbidade e mortalidade nos pacientes hospitalizados. Além disso, outros fatores de risco estão associados como:
  • Hipercoagulabilidade (genético);
  • Idade acima de 40 anos;
  • Imobilidade e Síndrome da Classe Turística (viagens longas);
  • Obesidade;
  • Varizes;
  • Procedimento cirúrgico;
  • Anestesia geral;
  • Infecção;
  • Neoplasias;
  • Fraturas;
  • Insuficiência Cardíaca e Infarto Agudo do Miocárdio;
  • Gravidez;
  • Anticoncepcional.
No caso desta paciente, o principal hipótese é que a TVP foi desencadeada pelo uso do anticoncepcional, porém o fato de ter viajado recentemente e ter ficado muito tempo sentada, pode ter contribuído para o desenvolvimento do trombo.

O diagnóstico é clínico e o sinal de Homans (dor na panturrilha quando se faz dorsiflexão do pé) positivo deve prontamente atentar para a confirmação de TVP. Porém, a maioria dos trombos na panturrilha podem ser assintomáticos, assim se faz necessário a confirmação por exames laboratoriais (Dímero-D) e de imagem (Dúplex scan ou Ultrassonografia com doppler).

Quando falamos em TVP, logo pensamos nas complicações, que podem comprometer a qualidade de vida quando evolui para uma Insufuciência Venosa Crônica ou  podem desenvolver um quadro de Tromboembolismo Pulmonar,  que é mais preocupante por se tratar de um quadro súbito e que coloca em risco a vida do paciente.


Então, como prevenir?
  • O método mais simples é realizar exercícios físicos regularmete.
  • Já os pacientes pós-cirúrgicos devem andar o quanto antes (24-48h), se não for possível, podem utilizar aparelho de compressão pneumática intermitente, devem evitar ficar sentados muito tempo, a posição de trendelemburg ajuda no retorno venoso e se recomendado, podem utilizar meias eláticas.
  • O método farmacológico pode ser empregado em pacientes de risco moderado e elevado.

No caso desta jovem, devemos pensar em suspender o uso do anticoncepcional e orientá-la a utilizar outro método contraceptivo.


sábado, 12 de maio de 2012

Obesidade e Cirurgia Bariátrica!!!

Oi pessoal!

Vamos falar um pouco sobre como classificar o grau de obesidade, quando está indicada a cirurgia bariátrica e qual a técnica mais usada para esta.

A Obesidade é classificada apartir do cálculo do IMC (Índice de Massa Corporal), onde você divide o peso(Kg) pela altura(metros) ao quadrado. Como na fórmula ao lado.

Essa é a Classificação do IMC:


A primeira conduta para pacientes obesos (tipo I, II ou III) é a mudança do estilo de vida, com a implementação de alimentação saudável e atividade física regular. O ideal é fazer essas mudanças com acompanhamento de profissionais capacitados, como nutricionista ou nutróloga. A avaliação de um endocrinologista e psicólogo também é importante para afastar causas hormonais e interferências psicológicas (como compulsão, por exemplo). É importante descobrir a causa para tratá-la e entender se o processo desse ganho de peso é natural ou mórbido. Portanto, o paciente precisa da orientação de uma equipe multidisciplinar para um tratamento clínico efetivo.

Esse tratamento clínico é proposto por 2 anos, se não for eficaz e o paciente se enquandrar em algum desses critérios: IMC >35 com comorbidades ou IMC>40 com ou sem comorbidades, ele é candidato a cirurgia bariátrica. Então, a recomendação é encaminhar esse paciente a um Centro de Tratamento de Obesidade, onde pelo menos, o endocrinologista, o psicólogo/psiquiátra e nutricionista irão avaliá-lo, se os dois primeiros profissionais liberarem esse paciente para a cirurgia, ele ainda deve ser avaliado pelo cirurgião, cardiologista, pneumologista e anestesista.

"O sucesso da cirurgia bariátrica está relacionada a boa indicação".

A cirurgia bariátrica é a famosa "redução de estômago". A técnica mais utilizada é por Bypass em Y de Roux (figura ao lado), onde diminui o volume do estômago e a absorção dos alimentos, pois estes não passam pela primeira porção do intestino delgado (duodeno). As principais contra-indicações são: cirrose hepática, hipertensão portal, comorbidade cardíaca e pulmonar em fase terminal, Síndrome de Prader-Willi e instabilidade psiquiátrica. Como em todo tratamento invasivo, existe complicações, entre estas estão a deiscência e a fístula. Além disso, o paciente pode apresentar dumping, que se apresenta como hipotensão devido o desequilíbrio osmótico após alimentação hipercalórica.

A cirurgia é considerada a "última" alternativa para perder peso, até mesmo porque os pacientes deverão ser acompanhados por nutricionistas e/ou nutrólogos pelo resto da vida, tanto para a reeducação alimentar como para a reposição de nutrientes, principalmente de Vitamina A, D e B12, Ferro e Cálcio. Também é importante no pós-cirúrgico, que este paciente seja acompanhado por psicóloga ou psiquiátra e pelo cirurgião, este último por aproximadamente 1 ano. Tudo isso é o ideal, infelizmente, algumas vezes na prática não funciona bem assim.

Até mais...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Aventuras do dia-a-dia: No Pronto Socorro!!!

Oi queridos colegas!


Vocês não vão acreditar, acho que minha curiosidade conspirou para que eu tivesse a oportunidade de conhecer a Fasceíte Necrosante, que eu até já postei aqui! Foi assim... Antes de eu entrar no centro cirúrgico para assistir a uma cirurgia de trauma, a mãe de uma paciente jovem que estava aguardando a cirurgia da mesma, falou: "Vocês conhecem fasceíte nescrosante? É bem rara, eu li na internet." Meu olho até bilhou na hora (como o do desenho ao lado, rs.). Então, ela mostrou aqueles nódulos subcutâneos endurecidos e escuros na região posterior da perna esquerda, muito diferente do que eu imaginava. A provável causa foi um trauma, pois ela caiu da gangorra recentemente. E melhor, assisti a cirurgia, que foi bem rápida.

Como eu falei, ontem fiquei a maior parte da aula no centro cirúrgico para assistir a uma cirurgia de trauma. A paciente tinha aproximadamente 35 anos, foi trazida pelo SAMU após acidente de moto e ela apresentava uma fratura exposta na perna direita (fratura de tíbia), a classificação segundo o cirurgião era do tipo IIIB. Foi a primeira vez que eu vi uma fratura exposta e uma cirurgia de trauma, que "teve direito" a furadeira e fixador externo (nada agradável de ver).

A foto  abaixo não é da paciente que vi, mas ficou mais ou menos assim...


Pessoal, mudando um pouco de assunto... Como é incrível a quantidade de acidentes de moto que vemos diariamente, não é mesmo?! Acho que quando passo uma tarde no PS, vejo pelo menos 5 pacientes acidentados por moto, uns só com escoriações e outros mais graves, com fratura exposta, contusão pulmonar-pneumotórax, ruptura do fígado e TCE grave. Deveria ter uma campanha do governo contra as motos, incentivando a compra de outros meios de transporte através de incentivo fiscal, finaciamento... ou com melhores meios de transportes coletivos, assim garanto que diminuiria os custos de saúde com esses pacientes e melhoraria a qualidade de vida de muitos, que é o mais importante!

Em breve postarei sobre Obesidade e Cirurgia Bariátrica :) Até mais...



quinta-feira, 3 de maio de 2012

Emergência Médico-Cirúrgica: Síndrome de Fournier!

Olá queridos leitores!
Vocês já ouviram falar em Fasceíte Necrosante ou Síndrome de Fournier? A primeira vez que ouvi falar sobre o assunto foi no seriado Grey´s Anatomy, durante minha maratona nas férias, eles se referiam a essa doença como "bactérias comedoras de carne"... A segunda vez que ouvi falar, foi no mês pasado, quando me falaram sobre uma paciente que foi internada com este diagnóstico aqui em Cuiabá. Assim, por se tratar de uma emergência médico-cirúrgica, achei interessante discutir com vocês...
A Síndrome de Fournier é uma grave infecção polimicrobiana causada por organismos aeróbios (Estreptococos, Estafilococos, Enterococos...) e anaeróbios, de início agudo e rápida evolução, podendo até mesmo causar Sepse e está associada a elevada mortalidade. Acomete a região genital e perineal, sendo mais frequente em homens do que em mulheres. Também já vi "fasceíte necrosante" em outras regiões do corpo, como na perna.

Os fatores predisponentes são infecções anorretais, infecção do trato urogenital, lesões de pele na região genital, períneal e anal e, imunossupressão como em pacientes HIV positivo, com Lúpus Eritematoso Sistêmico e Leucemias. Algumas comorbidades também estão associadas como Diabetes mellitus, Cirrose, Doenças Malignas e Obesidade mórbida.

apresentação clínica inicia com sinais pródromos, como febre e fraqueza, por 2 a 7 dias. Evolui com dor genital intensa e edema local, ocorre surgimento de eritema (vermelhidão), escurecimento da pele e creptação subcutânea, gerando gangrena da genitália e drenagem purulenta, podendo até mesmo apresentar sintomas sistêmicos, como sepse. O diagnóstico pode ser feito através da anamnese, exame físico, exames laboratoriais e de imagens, além do histopatológico.

Como eu disse, é considerada uma emergência médico-cirúrgica, então quanto mais rápido fizermos a intervenção cirúrgica menor a taxa de mortalidade e menor agressão local.  Encontrei literaturas relatando que é determinante para a sobrevida do paciente o início da intervenção cirúrgica em até 4 dias após o aparecimento da lesão.

O tratamento consiste em administração endovenosa de antibióticos de amplo espectro e desbridamento cirúrgico agressivo de todo o tecido necrótico, sendo esse último fundamental, ou seja, essa síndrome não é controlada apenas com antibióticos. O tecido infectado desbridado deve ser levado para cultura e biópsia.

Infelizmente não sei detalhes daquele caso que citei anteriormente, mas se tratava de uma paciente jovem, em bom estado geral, que notou uma lesão súbita próxima a genitália e por perceber a rápida alteração da lesão procurou o médico. Ela foi diagnósticada e internada rapidamente para o tratamento, no qual apresentou boa resposta, já recebeu alta hospitalar e mantém os cuidados em domicílio.

Pessoal, fiquem à vontade para comentar mais sobre o assunto e até mesmo relatar alguma experiência referente à essa Síndrome. Até mais...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Dica de estudo...

Olá colegas!
Passei rapidinho para dar uma dica de um site interessante para complementar o estudo, na verdade quem indicou foi meu professor de Clínica Cirúrgica durante a aula de Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE). O site é da Fleury Medicina e Saúde, que é um dos maiores centros de medicina diagnóstica do país.

Eles separam as informações em: Clientes, Médicos, Empresas e Farmacêuticos, laboratórios e clínicas. Então, fica mais fácil de encontrar o que precisamos.

Neste link eles oferecem aulas multimídias (inclusive sobre DRGE) que duram em média 20 minutos cada. Aqui tem algumas questões para testar os conhecimentos sobre a DRGE, vale a pena responder, logo depois ele confere sua resposta e faz alguns comentários do assunto.

Particularmente, gostei do site e das informações que ele oferece, além disso também está disponível na forma de aplicativo para smartphones, basta procurar "Fleury" e baixar gratuitamente. Até mais e bom feriado :)

sexta-feira, 16 de março de 2012

Projeto Acerto: Pré e Pós-Operatório!

Olá Pessoal!

Essa semana participei do Projeto Acerto e achei muito interessante. Esse projeto iniciou na Universidade Federal do Mato Grosso baseado no ERAS (Enhanced Recovery After Surgery-Europeu) e foi adaptado a realidade brasileira.

"O projeto Acerto (ACEleração da Recuperação TOtal Pós-operatória) é um programa que visa acelerar a recuperação pós-operatória de pacientes. Baseado em programa europeu já existente (ERAS - Enhanced Recovery After Surgery) e fundamentado no paradigma da medicina baseada em evidências, o projeto ACERTO é antes de tudo um programa educativo."

O objetivo é diminuir a mortalidade, morbidade, hospitalização e consequentemente custos hospitalares dos pacientes cirurgicos.

Nesse evento vieram médicos (cirurgiões, anestesistas...) e nutricionistas do Brasil todo, além do presidente do ERAS (Dr. Olle Ljundqvist). Percebi que muitos vieram ao encontro, pois desejam implantar o Projeto Acerto nos hospitais que trabalham ou administram.

Nessa figura estão as condutas estabelecidas pelo Projeto Acerto!


Selecionei alguns tópicos para explicar melhor...
  • Jejum pré-operatório: Na conduta tradicional o jejum é de 8h ("Nada por via oral após a meia noite").  Segundo a ESPEN (European Society for Parenteral and Enteral Nutricion) o protocolo é jejum de sólidos 6h, líquidos até 2h antes da cirurgia e recomendam ingerir bebida rica em carboidrato 2h antes. Eles comprovaram que assim diminui a ocorrência de vômitos e nauseas no pós operatório, aumenta o pH gástrico (menos lesão se broncoaspirar), diminui a resistência periférica à insulina, melhora resposta imune e previne a perda de nitrogênio no pós-operatório. Pacientes com DRGE, Obstrução Intestinal, Diabético e Obeso não fazem parte desse protocolo.
  • Pacientes com câncer (principalmente de cabeça, pescoço e aparelho digestivo) é recomendado utilizar imunonutrientes ( Arginina, Omega 3 e nucleotídeos) durante 14 dias antes da cirurgia. Apesar do aumento do custo no primeiro momento, depois isso é compensado pelo menor tempo de internação pós-op, menos chance de pneumonia (infecções) e melhor capacidade funcional do paciente. Esses imunonutrientes não elevam a dosagem sérica de albumina e não aumentam IMC. Pacientes desnutridos devem receber alimentação apropriada antes de fazer o procedimento.
  • Realimentação precoce no pós-operatório: A recomendação é que realimente o paciente hemodinâmicamente estável de 12 à 24h após a operação. Antigamente temiam fistulização com essa conduta, mas os estudos confirmaram que a dieta precoce é segura.
  • Preparo mecânico do cólon: De maneira geral, a recomendação é que não faça o preparo do cólon, pois o paciente tem mais chance de ir para a cirurgia com deficiência de sódio, potássio, fósforo, hipotensão, hipovolemia...
No simpósio, todas essas novas práticas foram baseadas em evidências e confirmaram que está na hora de mudar alguns conceitos milenares da prática cirurgica para diminuir complicações e melhorar a readaptação do paciente no pós operatório. Vale ressaltar que essas condutas são para cirurgias eletivas. Quem tiver curiosidade, entre no site www.projetoacerto.com.br .Até mais :)


sábado, 3 de março de 2012

Campanha: Compartilhe seu caso clínico!

Oi pessoal! 

Estava pensando... A discussão de casos clínicos ajudam muito na aprendizagem, pois integra teoria com a prática, então tive a idéia da Campanha: Compartilhe seu Caso Clínico... É assim:

Se tiver algum caso clínico interessante para relatar, de preferência que você vivenciou e deseja compartilhar, envie no meu email curtindoamedicina@gmail.com , que irei postar no blog em sua autoria.

Preciso do nome, semestre (se estudante) e universidade ou estado.

Não precisa ser nada formal. A finalidade é compartilhar experiências! Participem :)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Resolução do Caso de Clínica Cirúrgica!!!

Oi pessoal!!!

Como prometi, vim mostrar a resolução do Caso de Clínica Cirurgica depois da discussão hoje.
Selecionamos as principais hipóteses diagnósticas:
  • Coledocolitíase por cálculo residual;
  • Lesão Iatrogênica durante o procedimento cirurgico;
  • Pancreatite Aguda;
  • Ca de vesícula biliar. 
Sendo as 2 primeiras mais frequentes nesses casos.

Os diagnósticos confirmados pela história clínica são desnutrição (30% de perda de peso) e colangite aguda (febre, icterícia e dor QSD);

Propedêutica: Exames Laboratorias-> Dosagem no sangue: pré-albumina (altera antes da albumina e avalia o estado nutricional); Hemograma; Transaminases; Fosfatase Alcalina; Hemocultura (colangite); bilirrubina; Uréia e Creatinina; Amilase e Lipase (avalia a possível pancreatite). Urina: EAS.
Exames de Imagem-> TC (nesse caso que o abdome está distendico não solicitamos US para diagnosticar Coledocolitíase e este já contribui para diagnostico de Ca); Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica (Auxilia no diagnóstico e tem função terapêutica na coledocolitíase); Também pode solicitar apenas Colangiorressonância e RNM (auxiliam no diagnóstico de Coldedocolitíase, Pancreatite e Ca).

A conduta terapêutica até o momento é Dieta Zero, Soro glicosado 50ml/Kg/24h, Na (2-3mEq/Kg), K (1-2 mEq/Kg), Ciprofloxacino + Metronidazol (ATB para Gram (-) e Anaeróbios - Colangite), Analgésico (Buscopam, Tramal e/ou Dipirona), antiemético (Plasil, Dramin), Protetor gástrico (Ranitidina ou omeprazol), Monitorar volume e aspecto da diurese, Entrar com Nutrição Parenteral periféria se necessário e Aguardar resultado dos exames.

Vale resaltar que o cirurgião deve prevenir o agravamento da lesão iatrogênica no pós-operatório realizando colangiografia intra-operatória no centro cirurgico, que permite o diagnóstico e tratamento desta antes de finalizar o processo cirurgico (Colecistectomia). Outro erro foi dar alta hospitalar sendo que a paciente não estava preenchendo os requisítos básicos (Sinais vitais estáveis, dor controlada, deambulando mesmo com ajuda e se alimentando).

Particularmente, gostei da discussão! Estudar a parte teórica em paralelo com os casos clínicos ajudam na fixação da matéria e estimula o raciocínio prático. Até mais...

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Caso de Clínica Cirúrgica - Qual hipótese diagnóstica?

Oi pessoal!!!


O carnaval está acabando e a realidade voltando... Meu professor de clínica cirúrgica enviou um caso clínico (no feriadooo!!!) sobre as matérias que estamos estudando (Vias Biliares, Abdome Agudo...), então vim compartilhar com vocês, quem tiver hipótese diagnóstica para sugerir, fique a vontade... Quinta vamos discutir o caso na aula e depois venho confirmar o diagnóstico e conduta com vocês, ok?!

1. IDENTIFICAÇÃO
F.G.M. mulher de 42 anos, parda, do lar, mora no interior de MT. Data de internação: 19\02\2012.

2. QUEIXA PRINCIPAL E DURAÇÃO
‘’Dor na barriga após cirurgia da vesícula há uma semana.’’


3. HISTÓRIA DA DOENÇA ATUAL
Paciente transferida do interior de MT nesta data. Relata ser portadora de colelitiase há cerca de 3 anos tendo tido nesse período diversos episódios de dor, tendo sido atendida e medicada diversas vezes em pronto socorro, sendo que, por duas ocasiões chegou a ficar internada (uma há cerca de 10 meses e outra a 03 meses). Negou icterícia ou outros diagnósticos que não fosse a colelitiase ao longo desses anos. Embora tenha sido indicada operação desde a ocasião de seu diagnóstico, permaneceu aguardando tratamento cirúrgico por todo esse período por estar aguardando na fila do SUS (SIC). Há cerca de uma semana e meia foi chamada para ser operada em hospital de sua cidade. Refere que na ocasião da internação para essa finalidade se encontrava assintomática. Foi operada na data de 05.02.2012. Após a operação, ainda no hospital, foi informada pela equipe médica que o procedimento foi muito complicado devido a “muita inflamação no local da vesícula” (SIC). Pemaneceu internada em uso de medicações por 3 dias, quando recebeu alta. Relata que embora ainda com dores e se alimentando pouco, sentia-se relativamente bem. Assim esteve até que, há cerca de uma semana, em seu domicilio, iniciou dor em forte intensidade, localizada em região de hipocôndrio direito e epigástrio. Associou febre (picos de cerca de 38 graus). Notou aumento do volume abdominal e urina escurecida. Desde o inicio do quadro de dor relata que não consegue mais de alimentar, estando apresentando vômitos frequentes. Com este quadro, procurou serviço médico no hospital onde foi operada. Neste, após 12h de observação inicial, foi transferida a este serviço onde, segundo os médicos que a atenderam, haveria melhores condições de tratamento.


4. REVISÃO DOS SISTEMAS (INTERROGATÓRIO SINTOMATOLÓGICO DIRIGIDO)
Digestivo: hiporexia, náuseas e vômitos. Fezes amolecidas de coloração esbranquiçada.Cardio-pulmonar, endócrino e genito-urinário: NDN



5. HISTÓRIA FISIOLÓGICA
 DUM: 28.01.2012
Catamênios: irregulares
Paridade:  G   2   P   2   A   0  
Desenvolvimento psico-motor: normal

6. HISTÓRIA PATOLÓGICA PREGRESSA
Nega Alergias, doenças psiquiátricas, crônicas-degeneratívas , infecciosas, cirurgias anteriores ou traumatismos.

7. HISTÓRIA SOCIAL
Tabagista e etilista há 20  anos, nega uso de drogas Ilícitas.

8. HISTÓRIA FAMILIAR / FAMILIAL
Mãe já foi operada por pedras na vesícula; Nega história familiar de neoplasias.
9. HISTÓRIA NUTRICIONAL
Peso Habitual: 78kg; Relata perda de peso 10kg em 1 mês.

10. EXAME FÍSICO
T: 37ºC;
FC: 100bpm;
FR: 28irpm;
PA: 100x70 mmHg
REG
Altura: 1,62 e P: 60 Kg
Hipocorada +\4+; Ictérica ++\4+; Acianótica e Desidratada.
Edema +\4+ e boa perfusão periférica.
Abdome: Inspeção: ABDOME DISTENTIDO, CICATRIZ CIRURGICA DE KOCHER, SEM PONTOS, COM BOM ASPECTO. Palpação: DOR A PALPAÇÃO SUPERFICIAL E PROFUNDA EM HD, COM DEFESA VOLUNTARIA NESSA TOPOGRAFIA.
Percussão: ABDOME HIPERTIMPANICO. Ausculta: RHA DÉBEIS.
Outros sistemas: NDN.


Então, qual a hipótese diagnóstica? Plano propedêutico e terapêutico?
Até mais...



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