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terça-feira, 25 de junho de 2013

"Dilma, valorize os profissionais que cuidam do seu POVO!"

Olá queridos leitores!

Hoje o assunto é muito sério. Muitos de vocês estão acompanhando as manifestações em todo nosso país. Sim, o "gigante acordou", nós, cidadãos brasileiros, unidos, fomos e continuaremos nas ruas lutando por um país mais justo!

Os profissionais e estudantes da área da saúde, que tiveram oportunidade de trabalhar, pelo menos um pouco, na rede pública de saúde sabem que o principal problema não é "falta de médico", como nossa presidente quer mostrar.

Sou estudante do 5º ano de medicina e mesmo com pouca experiência na bagagem, já presenciei fatos que acredito que jamais esquecerei. Alguns desabafos fiz à vocês, desde a criação do Curtindo A Medicina, sobre a sensação de impotência em alguns casos. Como a história do menino V.H., 7 anos, que deseja ou desejava ser médico, um ótimo aluno, com ótimas notas e com o diagnóstico de tumor cerebral, o acompanhei por um tempo no Pronto-Socorro, onde aguardava uma biópsia e cirurgia há meses. Desde quando o vi pela última vez, ele estava "aguardando, aguardando", não sei se ele teve chance...

Infelizmente, no SUS, muitas pessoas "perdem a vida" na fila aguardando a liberação para cirurgia, para angioplastia, dificuldade para conseguir o medicamento que faz toda diferença na sua vida... O atrasado da biópsia, a demora para conseguir os exames que atrasam o diagnóstico, que só faz aumentar o sofrimento e, às vezes, diminuir a chance de cura.

Quando nossa presidente falou "contrataremos de imediato milhares de médicos estrangeiros", meu coração acelerou e uma revolta imensa tomou conta de mim. Porque sei que isso é uma falsa solução, afinal as eleições estão se aproximando e os interesses políticos vão além da sua ética como presidente. Porque ela ignorou os esforços de muitos de nossos médicos brasileiros que doam sua vida na luta diária, com um salário péssimo e acompanhada de diversos desafios devido a total precariedade do SUS. Porque ela não está valorizando seu povo, nem médico e nem usuário do SUS, pois precisamos de muito mais que "médicos cubanos" para salvar nosso povo. 

Precisamos de estrutura para conseguirmos agilidade e qualidade no SUS. Incentivar médicos a trabalhar na rede pública também, é claro! Este papo de que no interior falta médico, oferecem 30 mil e ninguem quer, você realmente acredita que ninguem quer??? Eu quero! Quero, também, realmente receber este salário tentador, quero um contrato (não apenas verbal) para continuar na cidade, quero qualidade para meus pacientes, quero sim trabalhar no SUS, mas não "neste" SUS de hoje. Para que? Ver pessoas sofrendo e eu com mãos atadas por falta de estrutura? Para mudar toda minha vida para o "interior", receber só no primeiro mês e voltar com uma mão na frente e outra atrás? Para ser desvalorizada pela presidente após anos de dedicação?

Não podemos deixar "nossa" presidente enganar o povo, muitos realmente acreditam que ela está melhorando a saúde trazendo médicos estrangeiros. Precisamos do apoio dos cidadãos brasileiros para melhorar a saúde, agora é a hora, antes que o "gigante volte a durmir" e nós continuemos a perder pacientes por falta de estrutura, com ou sem médicos cubanos!




sábado, 25 de maio de 2013

Revalida SIM!!!

Olá queridos leitores,

O dia 25 de maio de 2013 foi marcado pela Manifestação: Revalida Sim! Onde médicos e estudantes de medicina foram às ruas de todo Brasil protestar a favor da prova que avalia a aptidão profissional de médicos estrangeiros ou que cursaram medicina fora do país para atuarem como médicos no nosso país.

Nossos governantes alegam falta de médicos no país, já que no interior não há médicos mesmo com ofertas tentadoras de salários. A realidade é muito diferente, os médicos estão "mal distribuídos" pelo Brasil e muitos preferem não trabalhar no SUS e no interior. Para quem está presente no dia-a-dia da saúde pública, sabe definir muito bem os motivos. 

Todos os fatos que irei citar aqui foram eventos que vivenciei ou ouvi relatos de colegas próximos... O Sistema Único de Saúde (SUS) apresenta definições e objetivos espetaculares no papel, só no papel, infelizmente, coisa que o estudante de medicina logo percebe ao inciar os estágios. Faltam condições básicas de trabalho, como materiais, medicamentos, exames de imagens e laboratoriais, leito na enfermaria para todos. Quantas vezes vi...
  •  O professor prescrevendo plasil ou tramal no serviço e informarem "está em falta hoje"; Indicar uma terapia medicamentosa mais eficaz para aquele paciente, mas a rede SUS não disponibiliza, então ele insatisfeito prescreve "o que tem"; Ou regulando material de sutura, um à um, para poder atender todos os pacientes, pelo menos daquela tarde.
  • Pacientes culpando o médico pelo atendimento precário, pela demora dos exames, pela falta de leito na enfermaria, por não saber responder quando será a cirurgia ou pela burocracia. Soube de colegas agredidos e outro até morto por paciente, já que muitos transferem a responsabilidade de um sistema que não "vai para frente" para o médico. É um absurdo!
  • Colegas que foram para o interior em busca de oportunidade e um ótimo salário, onde encontraram precariedade e falta de pagamento salarial até mesmo no primeiro mês.
Obviamente um médico que trabalha sob condições precárias, há mais chance de ter pacientes com resultados insatisfatórios do que o da rede privada. Assim, médicos do SUS estão mais suscetíveis à processos! 

Além disso tudo, nossos governantes desejam "tampar o sol com a peneira" e claro, se beneficiarem com "politicagens" em vez de RESOLVER o mal da saúde pública: Corrupção, falta de estrutura e condições precárias de prestação de serviço à saúde da população, falta de hospitais... Prefere trazer médicos estrangeiros em massa (sem avaliação alguma) para atuar em um país com uma epidemiologia diferente (desconhecida?) e ainda "sem" estrutura. 

Hoje ouvi o relato de uma professora que para ter permissão para atuar como pediatra no Líbano foi avaliada da seguinte maneira: Prova objetiva com 180 questões para ser respondida em 3 horas (1 minuto por questão) e uma banca para a avaliação oral com 2 médicos americanos, 2 médicos franceses e 2 médicos libaneses. Para atuarmos nos outros países precisamos ser aprovados através das avaliações rígidas e para atuar no Brasil, todos terão acesso livre?!

Acorda Brasil!
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