Olá pessoal!
Essa semana foi minha primeira aula no Pronto Socorro, sem muita emoção (Ufaaa!), mas vi um caso interessante de Cetoacidose Diabética, que apesar de já ter estudado sobre o assunto na Clínica Médica, nunca tinha visto. Tive um contato rápido com a paciente, então vou relatar o caso superficialmente para vocês.
A paciente é jovem, 20 anos, diabética insulino-dependente, deu entrada no dia anterior no P.S. com dispnéia intensa, hálito cetônico e desorientada, com pH= 7,02 (Normal =7,35-7,45), pO2=98%, Fr 44irpm (taquipnéica), glicemia 530g/dL. No dia seguinte (dia que a vi) os sintomas estavam mais estáveis, com pH= 7,29, pO2 = 89%, Fr 23irpm. A medida terapêutica foi hidratação, insulina NPH e Regular.
Detalhe!!! Essa é a terceira vez que ela recebe atendimento no P.S. com esse quadro em 2 meses, sendo que ela recebeu alta há 2 dias e retornou ontem. Ela disse que estava se sentindo fraca e sua mãe fez um escaldado com fubá para ela depois que chegou em casa (fubá = carboidrato, ou seja elevação da glicemia), no outro dia, sentiu muita falta de ar (dispnéia) e voltou desacordada para o P.S. Ela disse que as vezes esquece de aplicar a insulina e não consegue fazer dieta. Apresenta rotineiramente polifagia (muita fome), polidipsia (muita sede) e poliúria (urina muito), que são sinais de descompensação diabética.
No caso dela, que não sabe a gravidade do caso, a importância da dieta e da aplicação correta da insulina, acredito que uma atenção primária à saúde (ambulatório, PSF) ajudaria muito, com orientações sobre o tratamento e acompanhamento médico regularmente, até mesmo para adequar a dosagem de insulina necessária. A família também precisa ser orientada para poder ajudá-la. Vale ressaltar que pacientes diabéticos podem descompensar por outros motivos, como infecção por exemplo.
