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segunda-feira, 10 de outubro de 2016

O Mal das Puérperas Modernas: Baby Blues e Depressão Pós-Parto!

Olá queridos leitores,


Resolvi comentar com vocês sobre um problema muito comum enfrentado pelas puérperas atualmente (mamães de recém-nascidos) e pouco compreendido pela maioria dos que a cercam. Esse mal está cada vez mais comum.

O famoso "Baby Blues" são sintomas de depressão leve que ocorrem após o parto, principalmente por conta das alterações hormonais, cansaço e adaptação à nova vida (que antes era de total independência). Os sintomas são tristeza, choro sem motivo, sentimento de insegurança, mas neste caso, as mulheres costumam cuidar do bebê e se doam muito, deixando até suas necessidades básicas de lado (comer, beber água, se cuidar...). O quadro tende a evoluir para a melhora espontaneamente, mas pode ser necessário medicamentos e apoio psicológico. Pode evoluir para Depressão Pós-Parto.

Já a Depressão Pós-parto, a mulher apresenta sintomas mais graves e a sensação de "solidão emocional" é muito maior. Uma característica comum é não cuidar da criança, mas isso não quer dizer que ela não a ama. Essas mulheres precisam de ajuda de profissionais capacitados como o psiquiatra e o psicólogo. E claro, de apoio familiar que a entenda e a ajude a sair dessa fase aos poucos. Geralmente é o parceiro que faz este papel ou outro familiar.

Hoje eu vejo que tive Baby Blues, por inclível que pareça, durante esse "período de tristeza" eu não fiz o diagnóstico, eu não percebi que precisava de ajuda... Eu só sentia um cansaço que nunca tinha sentido antes (nem durante os plantões médicos rs.), um desânimo sem fim, parecia que minha vida tinha encerrado ali e que minha única função era me doar totalmente ao meu bebê. Isso durou uns 3 meses, mas só melhorei 100% quando voltei a trabalhar. Imagina uma TPM que não passa somada à noites sem dormir.

Não resolvi falar deste tema à toa. Nestes últimos dias foi o assunto mais discutido entre as mulheres que conheço e que tiveram bebês, praticamente todas tiveram Baby Blues e algumas Depressão Pós-Parto. Infelizmente, nem todos compreendem esse mal e nem todas as mulheres recebem ajuda de verdade. Grande parte das pessoas preferem julgar ou arrumar argumentos para justificar os sintomas. Na realidade, as pessoas não tem conhecimento sobre esse "Mal das Puérperas Modernas"!

O que eu tenho a dizer à essas mulheres é que esses sentimentos vão passar e vocês curtirão de verdade a maternidade, que é linda sim! Procurem ajuda, pois, apesar deste problema ser muito comum, não é normal sentir tanta tristeza!

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Fissuras Mamilares: Lansinoh!

Olá queridos e queridas,


Nós, profissionais da saúde, nos deparamos frequentemente com pacientes queixando de fissura mamilar durante amamentação. Confesso que no hospital-escola, durante a faculdade de medicina, não atendi tantas mulheres com essa queixa, como agora, pois a fissura mamilar tende a aparecer após alguns dia pós parto, quando as mamães já estão em casa.

Atualmente, tanto na clínica geral quanto nos plantões de pediatria, sempre aparece essa terrível queixa. Muitas vezes, as mamães pensam em cessar a amamentação pela dor. Então, nada melhor que orientá-las a evitar esse desconforto quanto orientá-las após o surgimento do mesmo.

Bem, há algum tempo, fiz um série de posts sobre o Aleitamento Materno, o qual sou uma estimuladora e, hoje gravida pretendo sim amamentar meu Bernardo um bom tempo... Olhando os antigos post, escrevi este sobre A Pega Correta Durante a Amamentação, o que é FUNDAMENTAL para evitar o surgimento das Fissuras mamilares, vale à pena conferir!

Outra dica muito bacana, que descobri há pouco tempo e tive a oportunidade de testar em minhas pacientes com amostras no consultório médico, foi a famosa lanolina da LANSINOH, eles já estão no mercado há 30 anos, minha sorte é que descobri a tempo (se caso eu tiver a temível fissura mamilar).


HPA LANOLIN da Lansinoh é 100% natural, sem conservantes e livre de substâncias químicas. Não precisa ser removida antes da amamentação. Eles orientam usar no caso de fissuras ou para as prevenidas, iniciar o uso no pré-natal, uma vez ao dia, a partir do 7º mês de gestação para tornar a pele mais flexivel. Assim, agindo preventivamente! 

Enfim, testei nas pacientes e elas amaram o produto, fiquei super animada se caso acontecer comigo, já sei o nome do milagroso (risos). A pomada Lansinoh pode ser encontrada em lojas de bebê ou farmácia aqui no Brasil, encontrei esses dias por 68,00. Para as mamães que estão indo fazer o enxoval nos EUA, vale a pena comprar lá, encontrei por 10 dólares.

Em breve, volto com mais dicas para mamães e profissionais da saúde!!!

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Diário da "Mãe Médica": It´s a Boy!

Olá queridos e queridas,

Hoje trouxe uma super novidade para vocês, que me acompanham desde a Faculdade de Medicina, estou GRÁVIDA!!! 

Sim, vou ser mamãe de um menino!

Muitos me perguntam, e a Residência de Dermatologia? "Meu grande sonho"! Pois bem, sempre sonhei em ser uma super profissional, mas também quero sim ter uma vida pessoal equilibrada, então  eu e meu esposo resolvemos mudar a ordem dos planos, ter nosso primeiro baby e depois continuo na luta do "Meu grande sonho", ser dermatologista!

Confesso que não imaginei que engravidaria tão rápido, no primeiro ciclo sem o anticoncepcional, já engravidei... Bernardo estava querendo vir logo (risos). 

Estou na 22ª semana de gestação e Graças à Deus, estamos bem. Tive pouquíssimos enjoos no início, engordando controladamente (o medo de toda mulher "virar uma baleia"), sentindo um soninho levemente exagerado e o Bernardo mexer há algumas semanas. Concluindo é muito amor e muitas mudanças!

Então, para compartilhar mais sobre minha gestação e sobre o desafio de ser Mãe e Médica (na luta pela Residência de Dermatologia), resolvi montar um link aqui no Blog: "Diário da Mãe Médica". Espero que curtam!!!

Até mais :)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Aventuras do dia-a-dia: O Parto Normal!

Olá queridos leitores,


Como não compartilhar com vocês um dos momentos mais emocionantes que vivi durante o curso de medicina?! Pois bem, desde que me aproximei da prática obstétrica, há 1 mês, venho me apaixonando por esta área. Acredita que até pensei em mudar minha opção de residência, de dermatologia para ginecologia/obstetrícia? Juro! 

Naquele plantão no Centro Obstétrico, fiquei responsável, logo cedo, em acompanhar uma adolescente de 15 anos, que estava iniciando o trabalho de parto do seu primeiro bebê. Ela perguntou: "Vai doer muito?", eu precisava ser realista, disse: "Sim, vai doer, mas logo que o bebê nascer a dor some, quando o dor vier respira fundo e concentrar a força na barriga, evita de perder força gritando, ok?!" Ela entendeu direitinho e fez corretamente, que até impressionou a equipe por tal maturidade e força.

Pouco antes do parto, já no final da tarde, fui escalada para o fazer (Meu Deus, meu primeiro parto normal!), não sei o que era maior, a minha curiosidade ou o meu medo. Claro, que a obstetra e a residente estavam do lado, orientando tudo. Quando a bebezinha saiu completamente nas minhas mãos, tive vontade de chorar (eu e minhas emoções...). Logo colocamos a bebê sobre a nova mamãe, a qual disse: "Que linda, minha mãe ficaria feliz em vê-la" (detalhe: a mãe dela já havia falecido), nessa hora meu olho encheu de lágrimas, mas concentrei, afinal o parto não havia terminado, faltava dequitar a placenta e revisá-la.

Logo depois do parto, ela confirmou: "Nossa, sofri tanto mas parece que sumiu agora".

Já eu "sobrevivi" ao parto normal e fiquei encantada. Apesar da correria e do cansaço do dia, voltei muito feliz para casa!

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Trabalho de Parto Prematuro!

Olá queridos leitores!


O Trabalho de Parto Prematuro(TPP) se instala entre a 20ª semana e 37ª semana incompleta de gestação. Lembrando que o parto antes da 20ª semana de gestação é considerado abortamento e após a 37ª semana completa é uma gestação a termo. 

O TPP pode ocorrer espontâneamente em torno de 10% de todas gestações e apresenta grande importância clínica pela alta taxa de morbimortalidade perinatal.


Quanto a fisiopatologia, o TPP é um evento multifatorial, onde envolve liberação de citocinas inflamatórias (IL1, IL6, IL8 e Fator de Necrose Tumoral), hormônios hipotalâmicos e adrenais (ocitocina, cortisol e hormônio liberador de corticotropina), produção de estrógenos placentários, liberação de prostaglandinas, proteases e formação de trombina. Enfim, os mesmos mecanismos do trabalho de parto a termo, mas prematuramente.

Principais causas:
  • Amniorrexe prematura (30% dos casos).
  • Infecções.
  • Malformação uterina.
  • Incompetência Istmocervical.
  • Gestação de alto risco.
  • Sobredistensão uterina (macrossomia, polidrâmnio e gestação múltipla).
  • Placenta Prévia.
  • Descolamento Prematuro de Placenta.
  • Iatrogenia. 
É imprescindível observar na anamnese a idade, raça (negra), condição sócio-econômica, hábitos de vida da paciente, como tabagismo, alcoolismo e uso de drogas ilícitas e, um detalhe importante é a tendência a se repetir, ou seja, TPP prévio é um fator de risco considerável.


O diagnóstico é clínico na presença de contrações uterinas ritmicas e efetivas acompanhadas de esvaecimento e/ou dilatação cervical ao toque. Existem alguns marcadores encontrados no TPP, como colo curto (menor que 25 mm) ao ultrassom transvaginal entre a 18ª e 24ª semana de gestação e presença de fibronectina fetal no fundo-de-saco posterior entre a 24ª e 35ª semana.

A conduta deve ser avaliada caso à caso e conforme a rotina do serviço. A tocólise pode ser realizada se feto vivo, dilatação do colo até 4 cm e bolsa íntegra. O uso de corticóide também é indicado entre a 24ª até 34ª semana para acelerar a maturidade pulmonar fetal.


Portanto, ao conhecer os fatores de riscos da paciente, vale à pena atuar sobre eles de forma preventiva, assim, orientar o repouso relativo para atividades físicas, desestimular hábitos nocivos, tratar prontamente as infecções, realizar circlagem ou cerclagem nas incompetências istmocervicais, se indicado e prescrever progesterona via vaginal, se for o caso. Quanto às pacientes é fundamental fazer o acompanhamento pré-natal corretamente e cuidar-se conforme orientação médica.

sábado, 31 de agosto de 2013

Vídeo: Intrumentação no Centro Obstétrico!

Olá pessoal!!!

Criei um vídeo com noções básicas de instrumentação no centro obstétrico para o parto cesária, com o objetivo de proporcionar noções básicas sobre os instrumentos mais utilizados durante este procedimento. Vejam:


Há um outro post aqui no blog sobre o assunto Instrumentação cirurgica.
Espero que gostem!!!
Até mais :)

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Nova Etapa: Obstetrícia!

Olá queridos e queridas,

Essas últimas duas semanas foram super intensas na medicina. Nossa, aprendi muitaaa coisa, tanto como profissional quanto pessoa. Prometo compartilhar um pouco dessas experiências nos próximos dias com vocês, ok?!


Finalizei o 9º semestre e comecei o 10º semestre de medicina, nesta semana. A especialidade a ser praticada agora é a Ginecologia/Obstetrícia. Posso adiantar que são muitas emoções (risos).

Gosto muito de crianças, então imagina ver os bebês nascerem?! Muito lindo!!! Claro, que as contrações uterinas não são agradáveis de ver, as mamães sofrem mesmooo...

Vi alguns partos normais e uma cesária hoje. No SUS o parto normal deve ser a primeira tentativa, no entanto, há exceções. Ao meu ver o parto normal é muito mais emocionante e a mãe parece estar ótima minutos depois, já a cessária é menos "sofrida", pois não sente dor durante o parto, mas em compensação após o parto, a mamãe sente dor sim, sem falar que a cirurgia também é um pouco "impactante". 

Todo caso, depois de tanta ansiedade e dor, quando as mamães olham para seus bebês, parece que os "sinos tocam" e qualquer dor desaparece no ar. 

Tudo indica que irei curtir bastante este novo setor!!! 

Prometo voltar em breve com mais novidades :)

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Aleitamento Materno é Tudo de Bom: Parte 2!

Olá queridíssimos leitores,

Continuando nosso projeto "Aleitamento é TUDO DE BOM"... Vamos falar sobre a composição do leite materno hoje.

Muitas mulheres falam que seu "leite é fraco" ou que o famoso "colostro" não é nutre seu bebê, tuuudo isso é mito! Para quem não sabe... O colostro é o leite materno dos primeiros dias (até 7º dia) após o parto, ele tem mais proteínas e menos gorduras que o leite maduro. Além disso, é rico em:
  • Anticorpos materno e leucócitos, por isso protege contra infecções e alergias.
  • Betacaroteno, precursor da vitamina A, que reduz a gravidade de alguma infecções, como sarampo e diarréia.
  • Fatores de Crescimento, aceleram a maturação intestinal, por exemplo.
  • Ação laxativa, importante para o bebê expulsar o mecônio, ajudando assim, a prevenir icterícia (cor amarelada na pele por aumento de bilirrubina).
Perceberam como o colostro não tem nada de fraco?! Ele é perfeito para estes primeiros dias de vida do bebê. Ah! Claro, por ter baixa concentração de gordura, não dá tanta saciedade, por isso o bebê mama toda hora.


O leite maduro é aquele secretado após o 7º-10º dia pós-parto, sendo este dividido em leite anterior e posterior. A principal diferença é que o leite posterior tem mais concentração de gordura (calorias) e aumenta a saciedade, este leite é aquele do final da mamada. Por isso, a importância da mãe deixar o bebê mamar bem em cada mama.

O leite maduro é riquíssimo em elementos de defesa. Lembrem-se que o recém-nascido não tem seu sistema de defesa (imunológico) maduro ainda! Alguns destes elementos presentes são: Imunoglobulinas (Ig) A secretora, M, G, Vitamina A, C e E, lactoferrina, lactoferricina, lisozima, fator bífidus, K-caseína, alfa-lactoalbumina... Acho que já notaram a quantidade de elementos esse leite tem, de maneira geral, eles fazem de tudooo para não deixar nenhum patógeno causar infecção no bebê.


Além disso, o leite materno apresenta:
  • Ferro melhor absorvido do que o ferro do leite de vaca;
  • Melhor proporção cálcio e fósforo (2:1) ajudando a absorção pelo osso;
  • Ácidos graxos essenciais em maior quantidade, que auxilia na mielinização (desenvolvimento e inteligência);
  • Proteína em quantidade adequada e de fácil digestão, já o leite de vaca apresenta em quantidade excessiva e de dificil digestão, por isso a sensação de saciedade é maior com o leite de vaca;
  • Quantidade de água suficiente no leite materno para o bebê, já no leite de vaca é insuficiente, sendo assim necessário oferecer extra.
  • Vitaminas suficientes e elementos de defesa, já o leite de vaca não tem.
Você tem dúvida que o leite materno é tudo de bom e miiil vezes melhor que o leite de vaca para o bebê?!

O próximo post será sobre a técnica correta de amamentação. Até mais :)

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aleitamento Materno é tudo de bom: Parte 1!

Olá queridos e queridas,

 Já faz um tempo que estou com vontade de postar sobre o aleitamento materno. Esta surgiu após eu notar que mesmo com as campanhas destacando que "é importante amamentar EXCLUSIVAMENTE até os 6 meses de vida", muitas mãe acabam desanimando por algum motivo, ou porque realizam a técnica errada, ou porque escutam mitos sobre o assunto.

Então, resolvi fazer o projeto "Aleitamento Materno é tudo de bom!" aqui no blog. Dividi em partes, com os seguintes assuntos:
  1. Importância para o bebê;
  2. Composição do leite materno;
  3. Técnica correta de amamentação;
  4. Vantagens para a mãe;
  5. Cuidados com a mama;
  6. Mitos e Verdades.
Lembrando que essas informações são importantes, principalmente, para profissionais da saúde, futuras mamães e para as mulheres que estão amamentando. Então vamos ao que interessa...


Como eu disse, muitos sabem que o aleitamento materno exclusivo (só leite mesmo, nem água) é muito importante desde o nascimento até o 6º mês de vida e, leite materno complementar até os 2 anos de idade ou mais. Mas qual a importância disso para o bebê? 

Evitar mortes infantis: A mortalidade de doenças infecciosas é 6 vezes maior em crianças menores de 2 meses que não recebem leite materno e 25 vezes maior, em crianças menores que 2 meses, de morrerem por diarréia.  

Evitar infecção respiratória: O risco da criança menor de 3 meses, não amamentada, internar por pneumonia é de 61 vezes mais do que as amamentadas. A amamentação previne otite e outras infecções respiratórias.

Diminuir o risco de alergias: Tanto alergia à proteína do leite de vaca, quanto a dermatite atópica e asma.

Diminuir o risco de hipertensão, diabetes e colesterol alto: Já adianto que previne diabetes tipo 2 na mãe que amamenta também.

Reduz a chance de obesidade.

Melhor nutrição: O leite materno tem todos os nutrientes necessários para o crescimento e desenvolvimento do bebê.

Efeito positivo na inteligência: Otimiza o desenvolvimento cerebral.

Melhor desenvolvimento da cavidade bucal: A criança faz exercício na retirada do leite, que é importante para o desenvolvimento da cavidade oral, alinhamento correto dos dentes e uma boa oclusão dentária. O desmame precoce pode fazer com que a criança apresente prejuízos na mastigação, fala, respiração (respirador bucal) e alteração motora-oral.

Promove vínculo afetivo entre mãe e filho: Fortalece o laço mãe e filho, transmite segurança e proteção no bebê e, autoconfiança na mulher.

Todos estes dados são baseados em estudos e quanto mais mamar no peito, menores serão os riscos para o bebê. A mãe também adquire diversas vantagens com o aleitamento, explicarei melhor na parte 4.

Ah! Por mais que muitas mães teimam, não é necessário das água para os bebês que se alimentam apenas do leite materno. Lembre-se que o leite materno mata a fome e a sede! 


domingo, 4 de novembro de 2012

Bate-papo: Coisas da Medicina!

Olá queridos e queridas,

Como vocês estão? Minha última semana foi um "mix" de sensações! Realmente a medicina mexe com a gente, cada dia uma história diferente, um choque de realidade... Sem contar sobre as nossas próprias dúvidas e decisões. Vocês devem estar pensando: "Que papo de doido é esse?! Não entendi nada" (risos). Vou dividir um pouco com vocês sem faltar com a ética profissional, ok?!


Atendi uma adolescente na obstetrícia (sim, ela está grávida) que me tirou o sono literalmente. Ela sofreu abuso sexual e está com 22 semanas de gestação. Não vou detalhar o caso para vocês, mas já adianto que ela não quer a criança. Acredito que o apoio da família (ela tem) e o auxílio da psicóloga a ajudarão de alguma forma.


Outro caso que aconteceu na mesma semana, uma mulher adulta já, relata durante uma consulta ginecológica que foi abusada aos 6 anos de idade. Hoje, ela toma remédios controlados para depressão e síndrome do pânico. Além disso, após uma conversa, percebi que ela tem problemas com o marido em casa. 

Depois disso tudo, vou dar uma dica, nunca julgue um paciente sem buscar entendê-lo antes ou sem ouví-lo. Pode ter certeza, que na maioria das vezes, tem algo muito sério por trás de atitudes consideradas "diferentes" (cabeça sempre baixa, remédios controlados...).

Mudando de assunto... 


Citei sobre nossas próprias dúvidas no primeiro parágrafo, pois bem, como vocês sabem estou com uma "pontinha do pé" no internato (ai que medo!) e minha cabeça tenta controlar a ansiedade, mas está ficando difícil (risos). Na verdade, estou preocupada mesmo é com a residência, já que escolhi uma das mais concorridas, a dermatologia! Está bem, calma, calma...Tudo tem seu tempo, um passo de cada vez. Coisas da medicina...

Até mais :)

domingo, 16 de setembro de 2012

União da Obstetrícia e da Neonatologia: Sensação incrível!

Olá queridos (as),


Como vocês já sabem, estou no 8º semestre de medicina, que na minha faculdade estudamos ginecologia/obstetrícia e pediatria neste período. Pois bem, vou compartilhar com vocês um pouco da sensação maravilhosa que senti esta semana. Coisas que a medicina proporciona...

Desde o início deste semestre, eu e meus dois colegas (nosso "trio") estavamos acompanhando o pré-natal de uma só paciente, a Luana, que estava grávida pela primeira vez. Muito dedicada, não faltava nenhuma consulta e fazia tudo que nós orientávamos. Tudo isso fez com que criássemos um vínculo médico-paciente muito prazeroso com ela. E claro, assim como ela, estavamos super ansiosos pela chegada da sua pequenina.

Nas últimas consultas, diagnosticamos pré-eclâmpia, como já estava com as 40 semanas de gestação e praticamente nada de dilatação, fomos orientados a solicitar sua internação para indução de parto no dia seguinte.  Como toda semana temos aula prática de neonatologia no hospital e durante esta devemos examinar um recém-nascido, fiquei torcendo para encontrar nossa paciente e sua bebê por lá, afinal queria ver o rostinho desta bebê tão esperada. 

Primeira coisa que fiz ao chegar no hospital foi procurar o nome da Luana e adivinhem??? Acheeei!!! Felizmente sua bebê nasceu um dia antes da nossa aula prática de neonatologia. Imaginem minha felicidade... A Ana Clara é linda, sério mesmo, nasceu muito lindinha e saudável. A Luana também estava bem e mais tranquila com sua filha já nos braços. Ganhei meu dia!


A medicina me proporciona sensações que nunca imaginei sentir. Poder fazer o papel de um dia ser, praticamente, uma obstetra e no outro, praticamente, uma pediatra, foi incríveeel! Tem como não se apaixonar por tudo isso?! :)

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Sistema ABO e Rh x Isoimunização!

Olá pessoal!

Saber "o que é" e "como funciona" o Sistema ABO e Rh é indispensável quando se estuda ginecologia/ obstetrícia (GO) e pediatria, principalmente neonatal. Como estou vivendo praticamente SÓ isso ultimamente (exageradaaa rs.), resolvi revisar urgente com vocês. Então, vamos lá...

Sistema ABO

Existem antígenos (aglutinogênios) A e/ou B nas superfícies das hemáceas, se a pessoa for A, B ou AB. No tipo sanguíneo O não há aglutinogênio na superfície das hemáceas. No sistema ABO também existem os anticorpos chamados de aglutininas, que se desenvolvem espontaneamente no plasma após o nascimento e reagem contra os antígenos A e/ou B, ou seja, reage contra algo que o paciente não tenha. Exemplo: Paciente do tipo sanguíneo "A", então ele apresenta aglutinogênio A nas hemáceas e aglutinina Anti-B no plasma. Resumindo...

Traduzindo o desenho: Bolas vermelhas são as hemáceas e a cor amarela representa o plasma.

Na transfusão entre sangues incompatíveis, os anticorpos do plasma de um sangue reagem com os antígenos nas superfícies das hemáceas do outro sangue, causando aglutinação e hemólise. 

Sistema Rh

Há seis tipos comuns de antígenos Rh: C, c, D, d, E, e. O tipo "D" é o mais prevalente na população e mais antigênico que os outros antígenos. Assim, quando uma pessoa tem o "D" ela é considerada Rh positiva (tem fator Rh) e quando ela não tem o antígeno D é fator Rh negativa. Estes outros antígenos (que não D) podem causar reações nas transfusões sanguíneas também, porém mais brandas. 

O fator Rh positivo, geneticamente, é uma considerado uma Herança Autossômica Dominante (RR ou Rr) e Fator Rh negativo é Recessivo (rr).

Neste sistema, não há produção espontânea de anticorpos contra o fator Rh (aglutininas anti-Rh), isso só ocorre após uma pessoa sem o fator Rh (Rh negativo) entrar em contato direto com sangue de outra pessoa que tenha fator Rh (Rh positivo), tornando-se imunizada. Após exposições múltiplas poderá tornar-se "fortemente sensibilizada". A produção dessas aglutininas anti-Rh desenvolvem-se nas próximas 2 a 4 semanas após primeiro contato. 

Agora, vamos focar na gestação, ok?!


Se a primigesta (1ª gestação) tiver fator Rh (-) e pai da criança fator Rh (+), o feto poderá ser Rh (+). Nesse caso, a mãe produzirá anticorpos contra o fator Rh após contato com sangue fetal (transfusão materno-fetal), que geralmente ocorre no momento do parto. Porém, se ocorrer abortamento espontâneo ou induzido, traumatismo abdominal, placenta prévia, descolamento prematuro da placenta ou qualquer tipo de hemorragia intra-uterina essa transfusão materno-fetal ocorrerá antes do previsto.

Por isso a importância do acompanhamento com o teste de Coombs Indireto durante a gestação. Esse teste permite a identificação de anticorpos antieritrocitários no soro. Se a gestante já estiver sensibilizada, este será positivo.

Desde a década de 70, existe a imunoglobulina Anti-D ("vacina"), que é usada para profilaxia da isoimunização Rh, podendo ser usada durante o pré-natal ou parto, ou seja, até 72 horas após a primeira transfusão materno-fetal. Já ocorreu drástica redução de mortes por doença hemolítica pelo fator Rh desde então, mas infelizmente esta ainda existe.

Esse assunto é um pouco extenso, mas espero que tenham gostado! Até mais...

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